Sobrevivência das empresas x cenário de oportunidades


Diante dos dados apresentados pelo Sebrae da pesquisa sobre a sobrevivência das empresas, mostra que o estado de Pernambuco foi o que obteve o pior índice da sobrevivência das empresas durante os dois últimos anos.

Essa informação parece se contraditória quando olhamos para todos os investimentos que o estado está vivenciando. Podemos até se dizer que Pernambuco encontra-se em um verdadeiro canteiro de obras e não parando de entrar grandes investimentos.

Esse contexto nos leva a hipótese de viver em um mar de oportunidades não significa sucesso absoluto!

Este artigo dá início a uma séria de análise sobre a realidade do processo de empreender e a gestão das pequenas empresas.

Inicialmente, gostaria de resgatar uma pesquisa feita em 2002 que tem como título Cara Brasileira: a brasilidade nos negócios – um caminho para o “made in Brazil”. Essa pesquisa relata vários aspectos da cultura brasileira e evidencia a cultura da gestão dos pequenos negócios, indicando os pontos fortes e fracos.

Os pontos fortes, literalmente contribui para  uma grande capacidade que temos de gerar um diferencial competitivo, sabendo explorar profissionalmente.

Os pontos fortes são:

  • diversidade racial e cultural
  • alegria e otimismo
  • ênfase nos relacionamentos pessoais
  • hospitalidade
  • criatividade
  • cordialidade

A abertura para diversidade contribui enormemente para sermos um país acolhedor, consequentemente cordial e hospitaleiro. A criatividade potencializa a nossa capacidade de promover um diferencial competitivo e a capacidade de apresentarmos alternativas inusitadas para os negócios, além de um tratamento personalizado na abordagem comercial das empresas.

Entretanto, é observado alguns aspectos negativos, além de criar uma imagem negativa para o mundo e entre nós brasileiros.

Esses aspectos negativos são:

  • idéia que todos querem tirar vantagem
  • desprezo pela técnica
  • falta descompromisso com acordos firmados
  • desonestidade em nome da família e dos amigos

Os itens citados acima prejudica as relações comerciais entre as empresas, gerando resistência na relação de confiança em fechar negócios e parcerias, além de reforçar um processo burocrático em nome da segurança dos acordos firmados.

Um ponto que gostaria de destacar é o desprezo pela técnica que podemos traduzir pela desvalorização do profissionalismo e conhecimento técnico necessário para gerenciar uma empresa.

Muitas pessoas abrem empresas e não sabem ao menos o preço de custo real de seus produtos e serviços que irão comercializar, não possuem domínio dos indicadores de resultados da sua empresa. Resumem-se em verificar se tem ou não dinheiro para pagar as contas e se há sobras para o seu próprio usufruto.

Como as empresas poderão ser competitivas e sobreviverem com essa mentalidade?

Por mais que se apresente dicas e orientações, mas se não se muda a forma de pensar das pessoas que querem empreender, como se pode mudar esse resultado do índice de sobrevivência das empresas no Brasil…

Ainda há uma luz no fim do túnel, basta refletir , mudar o comportamento e começar buscar a administrar profissionalmente as empresas!

É possível mudar a cultura organizacional de uma empresa?


Muitos empresários pensam em fazer mudanças radicais na empresa e contratam consultores para fazer acontecer essas mudanças. Tudo em nome da sobrevivência e sucesso empresarial… O detalhe que muitas vezes começa com a forma de pensar e agir do próprio empresário. Alguns aspectos precisam ser analisados antes dessa contratação. 

Leia mais esse meu artigo Cultura empresarial: como intervir?(http://blogs.diariodepernambuco.com.br/empreendedor/?p=136)

 

Saiba escolher seu sócio


Muitas pessoas pretendem abrir um empreendimento, concretizando seus objetivos com a constituição de uma sociedade empresarial com amigos, parentes e ou investidores.

Neste post gostaria de refletir sobre a escolha e aspectos negociáveis que precisam ser realizados antes de se pactuar a sociedade. Este momento prévio é importante para o sucesso empresarial, pois a relação societária interfere na gestão do empreendimento.

Primeiro faz-se necessário saber escolher o potencial sócio. Nunca faça acordo para uma sociedade por conta do investimento que este suposto sócio vai fazer ou porque sua atividade exige uma constituição jurídica societária.

Averigue o perfil desse sócio quanto a:

  • valores que norteiam sua vida princípios éticos; 
  • visão de futuro do negócio;
  • grau de ambição;
  • enxergam o empreendimento como sobrevivência, um bico ou uma oportunidade; 
  • compatibilidade ou tolerância religiosa;
  • habilidade interpessoal no saber se relacionar com sócio(s), funcionário(s) e clientes;
  •  contribuições não financeiras para sociedade – conhecimentos, rede de contatos e tempo para atuar na empresa

Ao realizar a análise econômica e financeira do futuro empreendimento, verificar:

  • potencialidade do empreendimento de gerar o pró-labore aceitável para os sócios;
  • montante financeiro que cada um irá investir para compor o patrimônio societário;
  • definição da distribuição das cotas que irão representar a composição e responsabilidade do capital social da empresa.

Para o dia a dia da empresa é fundamental criar algumas regras antes de assinar o contrato social:

  • definição das retiradas financeiras e sua periodicidade;
  • decisões que cada sócio poderá tomar de forma autônoma ou em conjunto;
  • auditoria e acompanhamento do histórico financeiro da empresa;
  • atividades que cada um irá exercer no empreendimento;
  •  ter ou não a presença de familiares na gestão da empresa;
  • em caso de sucessão de um dos sócios, poderão os parentes assumirem ou as cotas terão que ser comercializadas para outro sócio, com concordância do atual sócio que pretende dar continuidade ao empreendimento;
  • por algum motivo haja a necessidade, um dos sócios precise se retirar da sociedade, qual será o procedimento ou tramitação de troca de sócio e o método de valorização ou precificação das cotas.

 O contrato social formal precisa retratar todos os aspectos negociados entre os sócios, no qual irão personalizar o conteúdo dos itens abaixo ou criar outros que comporão a estrutura desse contrato.

Segue um link da estrutura básica do contrato social, mas saiba que é só ponto de partida para desenvolver o da sua sociedade, com tudo que foi apresentado. http://www.dnrc.gov.br/Servicos_dnrc/Orientacoes_e_modelos/modelo_basico_contrato.htm

Tenha paciência e não atropele essa fase que ira contribuir para o sucesso da sua empresa e dessa relação societária.

Empresa familiar e seus sucessores


No processo de sucessão, acontecem muitas situações, e uma delas é sequência ou a mudança dos valores e visão empresarial entre as gerações. Muitas vezes, o sucesso do fundador da empresa está na sua capacidade visionaria e princípios empresariais. Essas duas variáveis vão influenciando toda a tomada de decisão que o leva para o sucesso e/ou o fracasso empresarial.

O detalhe ou o engraçado é quando a empresa é bem sucedida e consegue superar os desafios no decorrer do tampo. Enquanto a próxima geração que vem suceder, não dá continuidade a visão de futuro traçada pelo fundador e principalmente aos seus princípios. A visão de futuro pode até ter necessidade de ser renovada, mas na sociedade os princípios e valores não mudam, mas cultivam a credibilidade e o relacionamento com os clientes e com todos os funcionários que contribuem para história daquela empresa.

Diante disso, os novos sucessores, quando não seguem entender os princípios e valores empresariais instalados, plantam a semente do fracasso da empresa e mancham a imagem corporativa. O que se deve refletir que o processo de sucessão, não é o processo de transição da juventude que nega e se rebela com os referenciais paternos. E sim, a empresa é um ser vivo que tem o espírito e  o pensar do fundador instalado, além de se fazer necessário compreender que para se realizar qualquer intervenção e assumir o comando deve-se compreender primeiro a realidade da empresa.

Processo de sucessão de uma empresa familiar


Muitas empresas familiares não sobrevivem no processo de transição de uma geração para a outra. Segundo Lodi, 50% das empresas morrem na passagem da primeira para a segunda geração e 34% não sobrevivem na transição da segunda para a terceira. 

Mesmo com essa estatística, ainda existe a falta de profissionalismo para o processo de sucessão, principalmente nas pequenas empresas. Essa falta de profissionalismo advém do tratamento desse assunto acontecer só no fórum familiar, esquecendo o ambiente empresarial. O processo de sucessão é influenciado por três aspectos: o perfil do fundador da empresa, a configuração da cultura da empresa, a cultura da família, e da própria transição da sucessão.

Geralmente há sucesso o processo da sucessão familiar na empresa, quando o fundador tem a clareza do tempo de acontecer à transição, abertura para mudanças e saber preparar o(s) possível (eis) sucessor (es), mas também precisa que a cultura familiar haja coerência, senso de justiça, diálogo e espírito colaborativo entre os membros da família. Quanto à cultura da empresa, é necessário que seja também colaborativa e profissional e não centralizador e ou paternalista.empresa-familiar

A própria transição precisa ser planejada tanto na formação profissional do sucessor, como também a inserção do mesmo na empresa. É importante que o sucedido acompanhe o sucessor na empresa e vá gerando empoderamento e autonomia do sucessor nas decisões. Caso esse momento não consiga fluir, faz necessário a presença de um terceiro para apoiar o processo. Esse terceiro poderá ser um outro parente, o contador, um consultor ou um amigo da família que possua legitimidade perante os familiares para possa intervir e mediar este momento.

Se sua empresa está nesta situação, não deixe de buscar orientação, antes que seja tarde demais.

 

Alguns critérios para o sucesso da sucessão empresarial:

  • Eqüitativa separação de bens dos negócios
  • Interdependência familiar – relacionamento do sucessor
  • Família manter a empresa sob a gestão do sucessor
  • Suspensão da família da gestão dos negócios
  • Decisão livre do sucessor para tornar-se sócio da empresa
  • O sucessor ter um bom relacionamento com os funcionários
  • Existência formal do plano de sucessão
  • Experiência do sucessor fora dos negócios da família
  • Experiência do sucessor em diferentes papéis dentro do negócio familiar